O atual cenário de tecnologia no Brasil revela um desafio crucial: 8 em cada 10 empresas brasileiras ainda não possuem políticas claras para gerenciar adequadamente o uso de modelos e soluções avançadas no ambiente corporativo. Esse dado indica que a adoção de ferramentas automatizadas e de análise inteligente está ocorrendo de forma acelerada, mas sem a correspondente atenção à estrutura de governança necessária para mitigar riscos e promover segurança na gestão de ativos digitais.
Além de otimizar processos internos, ampliar eficiência e acelerar tomadas de decisão, essas inovações exigem um plano estratégico de longo prazo. A ausência de estruturas formais de governança amplia as chances de vazamentos de dados, falhas de compliance e uso indevido de informações estratégicas. Quando grande parte das organizações não estabelece padrões de supervisão e controle, o risco de surgirem práticas paralelas e desautorizadas dentro de equipes aumenta de forma expressiva e silenciosa.
Essa situação evidencia ainda uma lacuna estratégica entre reconhecer o valor dessas tecnologias e efetivamente integrá-las ao modelo de negócios com responsabilidade. Sem direcionamento claro, boa parte das iniciativas fica sujeita ao que muitos especialistas chamam de uso não autorizado em áreas internas, o que pode comprometer dados sensíveis e impactos reputacionais. Da mesma forma, muitas companhias ainda não têm métricas que indiquem o retorno sobre investimentos nesse tipo de inovação.
Para reverter esse quadro e transformar esse gap em oportunidade, organizações devem começar por estabelecer políticas de governança que integrem medidas de segurança, auditoria contínua e conformidade legal. Isso inclui a definição de responsabilidades, fluxos de autorização, implementação de ferramentas de monitoramento e mecanismos de rastreamento de atividades. Com controles adequados, é possível não apenas evitar problemas, mas também obter um diferencial competitivo sustentável.
Outro ponto essencial está na promoção de educação interna e capacitação de equipes. Quando funcionários compreendem os limites e as possibilidades dessas soluções tecnológicas, a confiança no uso cresce, e a empresa passa a extrair mais valor real dos recursos implementados. Treinamentos focados em segurança da informação, proteção de dados e práticas de uso responsável contribuem de maneira significativa para reduzir a ocorrência de problemas e elevar a maturidade digital da organização.
Adotar uma postura proativa frente aos desafios também significa mapear potenciais riscos e estabelecer planos de resposta para incidentes. A definição de um comitê interno ou grupo de trabalho focado em monitorar evoluções tecnológicas e ameaças emergentes ajuda a criar uma cultura organizacional pronta para reagir rapidamente a possíveis falhas ou vulnerabilidades. Essa abordagem não freia a inovação, pelo contrário, garante que ela se desenvolva de maneira equilibrada e segura.
À medida que mais empresas reconhecem a necessidade de governança robusta, aquelas que já implementam essas estratégias começam a observar resultados mais consistentes. Um exemplo disso é a redução de custos associados a incidentes de segurança e a melhoria no atendimento às exigências regulatórias, aspectos que reforçam a confiança de investidores, clientes e parceiros de negócios. Organizações maduras reconhecem que a transformação digital é um processo contínuo e que a governança é peça-chave nessa jornada.
Por fim, é evidente que governança bem estruturada não é um obstáculo à inovação, mas sim um facilitador para que os avanços tecnológicos alcancem seu potencial completo de forma segura e estratégica. Empresas que abraçam esse desafio podem posicionar-se na vanguarda do mercado, transformando um panorama em que muitas ainda estão despreparadas em um verdadeiro diferencial competitivo para os próximos anos.
Autor : Igor Kuznetsov



