De acordo com o empresário do setor imobiliário e agro, Guilherme Campos, a economia circular muda a forma de enxergar a produção rural: o que antes ia para o descarte passa a alimentar um novo ciclo. Esterco, palhada, cascas e outros resíduos da colheita deixam de representar custo de manejo e se tornam fonte de energia, adubo e economia. Esse raciocínio reduz perdas e fortalece a rentabilidade de quem produz.
Tendo isso em vista, a mudança começa no olhar do produtor, que passa a medir o que sai da propriedade e o que poderia permanecer nela. Biodigestores e compostagem mostram como essa lógica funciona na prática. Interessado em saber mais sobre? A seguir, veremos como aplicar esses caminhos.
Por que a economia circular faz sentido no campo?
O sistema linear domina muita propriedade: compra-se insumo, produz-se, descarta-se o que sobra. Esse modelo gera custo duplo, porque o produtor paga para adquirir fertilizante e energia e, em seguida, gasta para armazenar ou afastar dejetos e restos de cultura. Além disso, o acúmulo mal manejado contamina solo e água, o que amplia riscos ambientais e passivos futuros, ressalta Guilherme Campos.
Ademais, o produtor que trata resíduos como insumo ganha autonomia: depende menos do mercado de adubos, controla melhor o custo de energia e protege a imagem da propriedade diante de compradores e fiscalização. O ganho, portanto, vai além do ambiental. Conforme destaca o empreendedor Guilherme Campos, ele aparece no caixa, na previsibilidade da safra e na reputação do negócio.
Como o biodigestor transforma dejetos em energia e biofertilizante?
Em termos práticos, o biodigestor funciona como uma câmara fechada e vedada, onde bactérias decompõem dejetos de suínos, bovinos ou aves sem a presença de oxigênio. Desse processo nascem dois produtos. O primeiro é o biogás, rico em metano, que alimenta geradores, aquecedores, secadores e fogões. O segundo é o biofertilizante, um material líquido que devolve nutrientes à lavoura, melhora a fertilidade do solo e reduz a compra de adubo químico.
Segundo Guilherme Campos, o investimento inicial exige planejamento, pois o tamanho do biodigestor deve acompanhar o volume diário de dejetos. Isto posto, propriedades com criação intensiva de suínos ou aves tendem a obter retorno mais rápido, já que geram matéria-prima de forma constante. Ainda assim, a aplicação do biofertilizante pede critério agronômico para evitar excesso de nutrientes no solo.

Como a compostagem devolve fertilidade ao solo?
Como pontua o empresário Guilherme Campos, a compostagem aproveita resíduos orgânicos sólidos, como esterco, palhada, cascas, bagaço e restos de poda. Esse processo é simples, acessível e adaptável a propriedades de qualquer porte. O produtor monta leiras, mistura materiais ricos em carbono com outros ricos em nitrogênio e mantém umidade e aeração adequadas. Em algumas semanas, os microrganismos transformam esse material em composto estável, que melhora a estrutura do solo, retém água e reduz a dependência de fertilizantes comprados.
Quais outros subprodutos podem voltar ao ciclo produtivo?
Além dos dejetos, a propriedade gera subprodutos que aceitam novos usos e podem render economia ou receita extra. Cada resíduo deve ganhar um destino planejado, em vez de esperar o acúmulo para decidir o que fazer. Com isso em mente, a seguir, separamos algumas possibilidades que ampliam o alcance dessa estratégia:
- Palhada e restos de cultura: servem como cobertura do solo, cama animal ou base para compostagem;
- Cama de aviário: retorna à lavoura como adubo orgânico, desde que passe por tratamento adequado;
- Cascas e bagaço: viram ração complementar, combustível para caldeiras ou composto;
- Água de lavagem: pode seguir para reúso na irrigação após tratamento e análise.
Esses exemplos reforçam que o resíduo só vira problema quando falta planejamento. Ao mapear cada fluxo, o produtor identifica onde há desperdício, define quem pode reaproveitar o material e cria rotinas simples de manejo. Com o tempo, a propriedade passa a funcionar como um circuito fechado, no qual a saída de uma atividade alimenta a entrada da seguinte.
Da sobra ao retorno: um ciclo que fortalece o produtor
Em última análise, a economia circular não exige uma tecnologia complexa para começar, e sim a decisão de mudar o olhar sobre o que a produção deixa para trás. Biodigestores, compostagem e reúso de subprodutos entregam economia, energia e proteção ambiental. Assim sendo, quem organiza esse ciclo hoje constrói uma propriedade mais resistente a oscilações de preço e a exigências do mercado. Ainda interessado em aprender mais sobre produção rural e sustentabilidade? Não deixe de acompanhar o perfil @guicamposvlg no Instagram!



