Toda decisão de agir tem um custo. Mas toda decisão de não agir também tem, e esse segundo custo é frequentemente ignorado porque seus efeitos são difusos, distribuídos no tempo e raramente atribuídos à inação que os gerou. Quando Eloizio Gomes Afonso Duraes decidiu, em setembro de 2003, oferecer aulas de informática para crianças do Jaguaré, ele estava respondendo implicitamente a uma pergunta que poucos se fazem com honestidade: qual é o custo de não fazer nada diante de uma necessidade que estou em posição de endereçar?
A conta que ninguém apresenta
Quando uma criança de periferia não tem acesso a reforço escolar e acumula defasagens ao longo dos anos, o custo não aparece numa fatura enviada a ninguém. Aparece anos depois, na evasão escolar, na dificuldade de acesso ao mercado formal de trabalho, na perpetuação de um ciclo de vulnerabilidade que se transfere para a geração seguinte. Quando essa mesma criança não tem acesso à informática, o custo aparece na exclusão digital, que a priva de oportunidades profissionais inteiras.
Quando não tem atendimento odontológico, o custo aparece em infecções, dor crônica e autoestima comprometida. Eloizo Gomes Afonso Duraes fez as contas dessa forma e decidiu que o custo de não fazer nada era inaceitável. A Fundação Gentil Afonso Duraes nasceu dessa contabilidade moral.

Ação como responsabilidade, não como generosidade
Há uma diferença importante entre encarar a filantropia como generosidade e encará-la como responsabilidade. A generosidade é opcional: quem a pratica merece reconhecimento, mas quem não a pratica não pode ser responsabilizado. A responsabilidade é diferente: ela nasce do reconhecimento de que quem tem capacidade de agir sobre uma injustiça e não age é, em alguma medida, cúmplice dela.
Eloizio Gomes Afonso Duraes sempre operou a partir dessa segunda perspectiva. Não construiu a Fundação porque queria ser generoso. Construiu-a porque reconheceu que estava em posição de fazer algo relevante e que não fazer seria uma escolha com consequências reais para pessoas reais.
O legado de uma resposta consistente
Mais de vinte anos depois da primeira decisão de agir, o legado de Eloizo Gomes Afonso Duraes é a resposta acumulada a essa pergunta original, repetida todos os dias em quatro estados brasileiros: o que posso fazer, com o que tenho, para que as crianças ao meu redor tenham uma chance melhor? A Fundação Gentil Afonso Duraes é a soma dessas respostas, construída tijolo por tijolo, programa por programa, ao longo de duas décadas de comprometimento que não precisou de holofotes para se sustentar nem de reconhecimento externo para continuar. Essa é a marca de uma filantropia verdadeira, e é o que torna a trajetória de Eloizio Gomes Afonso Duraes uma referência que vai muito além do terceiro setor.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez



