O pessimismo avançou em 24 dos 29 setores industriais analisados em setembro, segundo os resultados setoriais do Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em 25 de setembro de 2026. O levantamento mostra uma percepção mais cautelosa entre empresas de diferentes portes e reforça a dificuldade de recuperação da confiança no ambiente industrial brasileiro.
O ICEI funciona como um indicador antecedente da atividade econômica. Na prática, a percepção dos empresários sobre as condições atuais e as expectativas para os próximos meses pode influenciar decisões de investimento, produção, contratação e compra de insumos. Quando o índice fica abaixo de 50 pontos, o resultado indica falta de confiança.
Maioria dos setores permanece abaixo da linha de confiança
Na edição setorial, apenas quatro dos 29 segmentos avaliados demonstraram confiança, enquanto 25 permaneceram pessimistas. Os setores de calçados e bebidas ultrapassaram a marca de 50 pontos, mas o desempenho positivo não foi suficiente para alterar o quadro geral da indústria.
Entre os segmentos que registraram piora estão impressão e reprodução, equipamentos de informática, produtos eletrônicos e produtos ópticos. A diversidade dos setores afetados indica que a perda de confiança não se restringe a uma única cadeia produtiva, mas alcança diferentes áreas da indústria de transformação.
De acordo com a CNI, o resultado setorial foi acompanhado por uma deterioração da confiança entre empresas pequenas, médias e grandes. O recorte é relevante para o planejamento corporativo porque companhias de portes distintos enfrentam condições diferentes de acesso a crédito, capacidade de investimento e exposição às oscilações da demanda.
Confiança recua entre empresas de todos os portes
O índice ficou em 44,6 pontos entre as pequenas empresas, 44,9 pontos entre as médias e 47 pontos entre as grandes companhias. Embora as empresas maiores tenham apresentado o resultado mais elevado entre os três grupos, nenhuma faixa alcançou a linha de 50 pontos que separa confiança de pessimismo.
O comportamento sugere um ambiente de cautela generalizada. Para as pequenas empresas, um nível reduzido de confiança pode dificultar a ampliação da produção e a contratação de trabalhadores. Nas companhias médias e grandes, o efeito tende a aparecer na revisão de projetos, no adiamento de investimentos e na maior seletividade para a formação de estoques e aquisição de máquinas.
Os números setoriais complementam o resultado geral divulgado anteriormente pela entidade. Em 14 de setembro, a CNI informou que o ICEI recuou de 46,3 para 44,9 pontos. Com isso, a indústria brasileira chegou ao 21º mês consecutivo sem confiança, conforme o Portal da Indústria.
Nordeste é a única região com confiança
O recorte regional também mostra diferenças importantes no comportamento das empresas. O Nordeste foi a única região brasileira a registrar confiança, com 51,4 pontos. Norte, Sudeste, Sul e Centro-Oeste permaneceram abaixo da linha de equilíbrio, indicando que o pessimismo predominou na maior parte do território nacional.
Além de ser o único resultado regional positivo, o desempenho nordestino cria um contraste com o cenário observado nas demais áreas. A leitura regional, no entanto, não elimina o quadro de cautela identificado no conjunto da indústria, já que a maior parte dos setores e dos portes empresariais continuou com índices inferiores a 50 pontos.
A Agência Brasil também destacou a sequência de 21 meses de pessimismo na indústria ao noticiar o recuo do índice geral. O período prolongado abaixo da linha de confiança amplia a importância do indicador para gestores, fornecedores, investidores e profissionais que acompanham a atividade econômica brasileira.
Impactos para decisões empresariais
A confiança empresarial não determina isoladamente o desempenho da indústria, mas ajuda a antecipar mudanças no comportamento das companhias. Quando os empresários avaliam de forma negativa o presente e as perspectivas futuras, é comum que decisões de expansão sejam reavaliadas, especialmente em um contexto de incerteza sobre demanda, custos e condições de financiamento.
O resultado de setembro, portanto, sinaliza um ambiente de planejamento mais defensivo. A combinação entre pessimismo em 24 dos 29 setores, índices abaixo de 50 pontos nos três portes de empresa e resultados negativos em quatro das cinco regiões reforça a necessidade de acompanhamento contínuo dos próximos dados de produção, emprego e investimentos.
Apesar dos sinais de cautela, os resultados não foram uniformes. A confiança nos setores de calçados e bebidas e o desempenho positivo do Nordeste mostram que existem diferenças entre cadeias produtivas e regiões. Para as empresas, essa heterogeneidade torna ainda mais importante analisar o próprio mercado de atuação antes de definir investimentos, metas de produção e estratégias de contratação.




