Tecnologia

IA pode adicionar quase R$ 1 trilhão ao PIB do Brasil até 2030: o que as empresas precisam fazer agora

Estudo divulgado nesta semana estima forte impacto da inteligência artificial na produtividade brasileira e reforça a urgência de preparar empresas e trabalhadores.

A inteligência artificial pode acrescentar cerca de R$ 986,7 bilhões ao PIB brasileiro entre 2027 e 2030, segundo estudo divulgado nesta semana pelo Centro de Estratégia e Regulação (Reglab), com financiamento da OpenAI. O levantamento estima que 65% desse impacto viria do aumento da produtividade do trabalho, enquanto os outros 35% seriam resultado de ganhos relacionados ao uso de tecnologia e ativos produtivos. Entre os setores com maior potencial estão indústria de transformação, serviços e comércio, justamente áreas que concentram grande parte das empresas brasileiras. (Folha de S.Paulo)

O número chama atenção, mas a dúvida mais importante para empresários não é quanto a IA poderá acrescentar à economia brasileira. A questão é quanto uma empresa individual pode ganhar — ou perder — dependendo da velocidade e da qualidade de sua adoção. O cenário indica que inteligência artificial está deixando de ser apenas uma ferramenta experimental para se tornar uma variável de produtividade, competitividade e gestão. Para pequenas e grandes empresas, isso muda a forma de pensar investimentos, qualificação profissional e processos internos.

Por que a inteligência artificial pode movimentar quase R$ 1 trilhão

O estudo divulgado nesta semana estima que a inteligência artificial poderá gerar R$ 986,7 bilhões adicionais ao PIB entre 2027 e 2030, valor equivalente a aproximadamente 7,6% do PIB projetado para 2026. A metodologia foi baseada em pesquisas econômicas sobre produtividade e adaptada à realidade brasileira com dados da PNAD Contínua do IBGE. O levantamento aponta que indústria de transformação, serviços e comércio concentram parte relevante dos ganhos potenciais, enquanto setores como agronegócio também podem se beneficiar do uso de drones, sensores e outras tecnologias. (Folha de S.Paulo)

Para o empresário, o dado deve ser interpretado como uma oportunidade ligada à eficiência. Uma empresa pode usar IA para automatizar tarefas administrativas, acelerar análises, personalizar atendimento, melhorar previsão de demanda ou apoiar equipes comerciais. O Sebrae já considera a inteligência artificial uma ferramenta acessível também às micro e pequenas empresas e recomenda começar por aplicações concretas, documentar processos e medir resultados. (Sebrae RN)

O ponto central é que produtividade não significa necessariamente produzir mais com menos pessoas em todos os casos. Em muitas empresas, o ganho pode aparecer quando funcionários deixam tarefas repetitivas para dedicar mais tempo a atividades de relacionamento, negociação, criatividade, análise e tomada de decisão. Isso transforma a IA em uma ferramenta de reorganização do trabalho, e não apenas em um mecanismo de redução de custos.

Onde as empresas brasileiras podem capturar os ganhos

A primeira oportunidade está nos processos que consomem muitas horas e exigem pouca diferenciação. Atendimento inicial, organização de documentos, elaboração de relatórios, classificação de informações, apoio à área comercial e produção de conteúdos são exemplos em que ferramentas de IA já podem reduzir o tempo gasto pelas equipes. Para uma pequena empresa, esse tipo de automação pode ter impacto proporcionalmente maior porque permite ampliar a capacidade operacional sem necessariamente aumentar a estrutura na mesma velocidade. (Sebrae RN)

Outra frente é o uso de dados para decisões empresariais. Empresas que já possuem informações sobre vendas, clientes, estoque ou operação podem utilizar modelos de IA para encontrar padrões que seriam difíceis de identificar manualmente. Isso abre espaço para melhorar previsão de demanda, identificar oportunidades de venda cruzada, reduzir desperdícios e direcionar campanhas de marketing com maior precisão. O ganho, portanto, não está apenas em conversar com um chatbot, mas em incorporar inteligência às decisões que afetam receita, custos e produtividade.

A experiência recente de grandes empresas brasileiras reforça essa tendência. O Nubank informou, ao divulgar seu resultado do segundo trimestre, que utiliza o modelo de inteligência artificial NuFormer em processos como análise de crédito e atendimento ao cliente. O banco também alcançou lucro líquido de US$ 1,061 bilhão no período, mostrando como tecnologia, escala e eficiência podem estar diretamente relacionadas aos resultados financeiros de uma companhia. (UOL Economia)

Para as PMEs, entretanto, não é necessário copiar investimentos de grandes corporações. O caminho mais racional é identificar um processo caro, lento ou repetitivo, testar uma solução de baixo risco e comparar indicadores antes e depois. Essa abordagem reduz desperdícios e permite que a empresa descubra onde a inteligência artificial realmente entrega retorno.

O que muda na gestão, nos empregos e na competitividade

A expansão da IA também coloca a qualificação profissional no centro da estratégia empresarial. Se parte das tarefas operacionais poderá ser automatizada, cresce a necessidade de profissionais capazes de supervisionar sistemas, interpretar resultados, formular comandos, validar informações e tomar decisões com base em dados. O estudo que estima quase R$ 1 trilhão de impacto considera justamente a produtividade do trabalho como principal fonte dos ganhos projetados. (Folha de S.Paulo)

Isso significa que empresas que adotarem IA sem preparar suas equipes podem capturar apenas uma parte do potencial da tecnologia. Treinamento, revisão de processos e definição de responsabilidades passam a ser tão importantes quanto a contratação da ferramenta. O gestor também precisa estabelecer regras para uso de dados confidenciais, informações de clientes e documentos internos, evitando que a busca por produtividade crie riscos de segurança ou privacidade.

Outro desafio é a cibersegurança. Nesta semana, especialistas alertaram para o aumento do uso de inteligência artificial por criminosos em ataques contra empresas, incluindo ransomware, engenharia social e exploração automatizada de vulnerabilidades. Relatórios citados em levantamento recente apontam crescimento expressivo dos ataques com apoio de IA no Brasil, reforçando que a mesma tecnologia utilizada para aumentar produtividade também pode ampliar a capacidade dos grupos criminosos. (Folha de S.Paulo)

Por isso, a adoção empresarial precisa combinar inovação e governança. A empresa deve definir quais ferramentas são autorizadas, quais dados podem ser utilizados, quem revisa respostas automatizadas e quais processos exigem aprovação humana. A oportunidade econômica é grande, mas o retorno dependerá da capacidade de transformar IA em processo confiável, mensurável e integrado à estratégia.

A estimativa de quase R$ 1 trilhão mostra que a inteligência artificial pode se tornar uma das principais fontes de produtividade da economia brasileira nos próximos anos. Mas o número não representa dinheiro automático para as empresas: ele depende de infraestrutura, qualificação, investimento e capacidade de aplicação prática da tecnologia. Para o gestor, o momento mais importante é justamente antes da adoção em larga escala, quando ainda é possível escolher processos, preparar equipes e estabelecer controles. Empresas que tratarem IA apenas como tendência podem chegar atrasadas à mudança. As que enxergarem a tecnologia como parte da estratégia terão mais condições de disputar produtividade, eficiência e novos mercados em um ambiente empresarial cada vez mais digital.

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