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CSN troca comando após mais de 20 anos: o que a mudança revela sobre sucessão, dívida e gestão nas empresas brasileiras

Fabio Schvartsman assume a presidência executiva da CSN enquanto Benjamin Steinbruch passa ao conselho em meio a uma reestruturação financeira.

A mudança no comando da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) coloca uma questão importante para empresas de diferentes tamanhos: quando uma companhia precisa mudar sua liderança para executar uma nova fase de estratégia? A partir desta quinta-feira, 3 de setembro de 2026, Fabio Schvartsman assume a presidência executiva da CSN, enquanto Benjamin Steinbruch deixa a posição de CEO após mais de duas décadas e passa a comandar o Conselho de Administração. A troca ocorre justamente quando a companhia busca reduzir seu endividamento, reorganizar sua estrutura de capital e vender ativos considerados estratégicos para levantar recursos. (Reuters)

O movimento chama atenção não apenas pelo tamanho da empresa envolvida, mas porque mostra como sucessão, governança e disciplina financeira podem estar diretamente conectadas. Para gestores e empresários brasileiros, a principal dúvida é o que uma mudança desse porte ensina sobre preparar uma empresa para crescer, atravessar períodos de pressão financeira e evitar que decisões estratégicas dependam exclusivamente de uma única liderança.

Por que a CSN mudou seu principal executivo justamente agora

A substituição de Steinbruch acontece em um momento no qual a CSN está realizando uma revisão estratégica e procurando reduzir sua alavancagem. A companhia pretende avançar com desinvestimentos, incluindo a venda da CSN Cimentos e de uma participação minoritária em negócios de infraestrutura e logística, como parte da estratégia para reforçar o caixa e melhorar sua estrutura financeira. Segundo informações divulgadas sobre o segundo trimestre, a alavancagem da companhia estava em aproximadamente 3,5 vezes o EBITDA, evidenciando a importância da gestão do endividamento para os próximos passos do grupo. (UOL Economia)

Nesse contexto, a chegada de Fabio Schvartsman representa uma separação mais clara entre a condução operacional e a atuação do principal acionista na governança. Steinbruch continua diretamente ligado à companhia como presidente do conselho, enquanto Schvartsman assume a execução da estratégia. A sucessão não significa, portanto, uma saída da família controladora, mas uma mudança na distribuição de responsabilidades. Para empresas familiares e negócios de médio porte, essa distinção pode ser especialmente relevante: crescimento e profissionalização exigem que decisões operacionais, supervisão e estratégia tenham responsabilidades claramente definidas.

A escolha também coloca experiência em grandes organizações no centro da transição. Schvartsman já comandou a Vale e a Klabin e passa a liderar uma companhia com operações diversificadas em siderurgia, mineração, cimento, infraestrutura e energia. A expectativa apresentada por Steinbruch é que o novo executivo concentre esforços na redução do endividamento e na melhoria da estrutura de capital. (Folha de S.Paulo)

O que a dívida da CSN ensina para empresas de menor porte

Embora os números da CSN estejam muito distantes da realidade de uma pequena ou média empresa, o princípio de gestão financeira é semelhante. Uma companhia pode ter faturamento elevado, marcas fortes e ativos valiosos e, ainda assim, enfrentar dificuldades quando o nível de dívida limita sua capacidade de investir, negociar com fornecedores ou atravessar períodos de menor geração de caixa. Por isso, a gestão empresarial precisa acompanhar não apenas o lucro contábil, mas também geração de caixa, prazo das obrigações, custo do crédito e capacidade de pagamento. A experiência da CSN reforça que crescimento financiado por dívida precisa estar acompanhado de uma estratégia clara para manter a estrutura financeira sustentável.

A venda da CSN Cimentos ilustra ainda outro conceito importante para gestores: desinvestir não significa necessariamente abandonar um negócio ruim. Uma empresa pode vender um ativo rentável porque precisa concentrar capital em atividades consideradas prioritárias ou porque deseja reduzir sua alavancagem. A negociação da unidade de cimento vinha sendo acompanhada pelo mercado, com propostas que chegaram a ficar abaixo das expectativas iniciais da CSN; posteriormente, a empresa passou a trabalhar com uma referência de pelo menos R$ 12 bilhões, segundo informações publicadas em agosto. (Folha de S.Paulo)

Para uma PME, a mesma lógica pode aparecer em escala muito menor. Uma indústria pode vender uma máquina pouco utilizada para financiar automação; uma rede de lojas pode fechar uma unidade deficitária para fortalecer as demais; uma empresa de serviços pode abandonar uma operação pouco rentável para concentrar equipe e capital em uma área com maior margem. A pergunta correta não é apenas “esse ativo dá lucro?”, mas “esse ativo está ajudando ou dificultando a estratégia que a empresa precisa executar nos próximos anos?”. Essa visão é particularmente importante quando o custo do capital permanece elevado.

A principal lição para gestores está na sucessão e na governança

Um dos aspectos mais interessantes do caso CSN é que a sucessão não foi apresentada simplesmente como uma ruptura. Steinbruch continuará no conselho, enquanto Schvartsman ficará responsável pela presidência executiva, criando uma estrutura na qual experiência do controlador e execução profissional podem coexistir. Informações divulgadas pelo mercado indicam que o processo de sucessão vinha sendo planejado havia pelo menos três anos, o que mostra a importância de preparar mudanças de liderança antes que elas se tornem uma necessidade emergencial. (Hide Me)

Essa lógica pode ser aplicada diretamente a empresas familiares brasileiras, inclusive aquelas que ainda estão longe de ter estruturas sofisticadas de governança. Quando todas as decisões dependem do fundador, a empresa pode ganhar velocidade no curto prazo, mas também fica vulnerável se esse profissional se afastar repentinamente. Criar processos, distribuir responsabilidades, registrar informações estratégicas e desenvolver sucessores reduz a dependência de uma única pessoa. Também permite que o fundador passe progressivamente da operação para uma função mais estratégica, sem perder influência sobre os rumos do negócio.

Outro aprendizado está na necessidade de alinhar liderança e estratégia. Uma troca de CEO não produz resultado automaticamente; o novo executivo precisa ter autoridade, metas mensuráveis e condições para executar o plano definido pela organização. No caso da CSN, a mudança ocorre acompanhada de objetivos claros relacionados à estrutura financeira e aos desinvestimentos. Para empresas menores, o equivalente pode ser estabelecer indicadores de caixa, margem, inadimplência, produtividade, vendas e retorno sobre investimentos antes de promover uma mudança de gestão.

O caso também mostra por que governança não deve ser confundida com burocracia. Uma estrutura de responsabilidades bem definida pode acelerar decisões justamente porque cada pessoa sabe o que precisa fazer e quem deve supervisionar. Em empresas em crescimento, isso ajuda a evitar conflitos entre sócios, decisões financeiras sem acompanhamento e dependência excessiva do empreendedor. Quanto maior a organização, mais importante se torna separar propriedade, gestão e fiscalização sem necessariamente afastar os fundadores da estratégia.

A mudança no comando da CSN oferece, assim, uma lição que vai muito além da siderurgia. Empresas podem precisar mudar seus líderes quando entram em uma nova etapa, especialmente quando enfrentam desafios de capital, expansão ou reorganização. Para o empresário brasileiro, o ponto central é começar a preparar a sucessão e a estrutura financeira antes que uma crise obrigue a agir rapidamente. Liderança profissional, governança e disciplina sobre o caixa podem parecer temas distantes para uma pequena empresa, mas são justamente essas práticas que ajudam o negócio a continuar funcionando quando o cenário muda. A história da CSN mostra que até grandes grupos precisam revisar sua estrutura para se adaptar a uma nova realidade competitiva.

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